O Homem de Ferro do Rally dos Sertões enfrenta seu maior desafio

João Franciosi e Rafael Capoani largam para o Jalapão com o 1o lugar entre os brasileiros e o 2o na classificação geral

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Experimente perguntar ao gaúcho João Antonio Franciosi, natural de Casca, mas desde 1987 radicado em Luís Eduardo Magalhães (BA), em que momento foi liberado pelos médicos para participar do Rally dos Sertões neste ano.

“Liberado?! Se dependesse do médico eu não tinha nem chance de estar aqui participando!”, revela o piloto da Mitsubishi Triton SR numeral 305, que faz dupla com o navegador Rafael Capoani, também gaúcho, de Caxias do Sul, pela Dague Paia Rally Team (FMC / Maxum – Case IH / Petronas Syntium / Mitsubishi).

Franciosi, conhecido no ambiente do Sertões como Homem de Ferro, passou 120 dias da temporada submetendo-se a sucessivos tratamentos para recuperar-se de três cirurgias no joelho esquerdo e uma infecção generallyzada. Em vez de treinar, até 30 dias atrás estava recebendo antibióticos intravenosos. Há 10, ainda ingeria medicação por via oral. E na manhã desta quarta-feira (31), largará para uma das maiores especiais de todos os 21 anos de história do Sertões na posição de líder entre os brasileiros e 2o pela classificação geral, atrás apenas do multicampeão Stéphane Peterhansel – francês que venceu 11 vezes o Rally Dakar.

O Homem de Ferro terá pela frente 514 quilômetros, de um total de 746, dentro do Deserto do Jalapão, com temperatura interna no cockpit do carro próxima aos 50oC. Isso depois de encarar uma maratona (série de duas etapas em que não é permitido qualquer auxílio mecânico aos competidores) que começou com 487 quilômetros (295 cronometrados) na segunda-feira (28), de Porangatu (GO) a Natividade (TO), e se completou apenas na terça (29) com outros 355 quilômetros de especial, num total de 424, entre Natividade (GO) e Palmas (TO).

“Estamos fazendo uma corrida de superação. Se você me perguntasse há três meses, eu sinceramente não achava que estaria nessa condição. Nem o médico, que é meu amigo, achava. Minha maior dificuldade hoje é o preparo físico. Às vezes a cabeça manda e o corpo não quer obedecer. Mas acredito que o importante é andar todo dia. Estamos lutando”, declara Franciosi.

A conquista da liderança entre os brasileiros, a segunda melhor posição de todo o Sertões, ainda que não definitiva neste momento, é sintomática do entrosamento da dupla. Às cantadas de referências da planilha, Capoani vem acrescentando gritos de incentivo para o companheiro de equipe.

 “O Franciosi vai tentando se manter hidratado, tomando algum energético, pois ainda está muito debilitado. Eu vou tocando pressão nele, chamando, mostrando que estamos na briga”, conta.

O navegador destaca a importância da conquista do segundo lugar na classificação geral assegurado logo na maratona, ainda antes do Jalapão, e numa sequência de recuperação fulminante, depois do azar de dois pneus furados na segunda especial.

“Agora zerou tudo. É um rally novo. Só acaba no parque fechado quando voltarmos para Goiânia, no dia 3”, sentencia Capoani.

Discurso similar ao de Franciosi, em outra evidência de que a sintonia é finíssima no melhor conjunto brasileiro do segundo maior rally do mundo, do qual foi campeão em 2006.

“Zerou tudo. É um novo rally. Vou correr a maior especial em nove rallys de que já participei, a mais longa de todas. Será um baita desafio ao preparo físico. Mas estamos superando até agora, vamos superar mais um pouco”, arremata o Homem de Ferro do Sertões.

Divulgação DNFPress